projeto de e-commerce & ux design

Ultrakids

Como reverti o fechamento de um e-commerce em 30 horas

Boutique premium de moda infantil com operação física em São Paulo e um e-commerce que precisava de um fôlego novo. O foco deles é curadoria de marcas consagradas, unindo o estilo da loja de rua com a praticidade do digital.

O e-commerce estava no soro

A operação digital tinha virado um custo inviável e as vendas não paravam de cair. O cenário era de guerra: eu tinha um budget de 30 horas para salvar a operação. O site rodava em Tray Commerce, usando um tema sem documentação e cheio de “gambiarras” de profissionais anteriores.

30 Horas e uma Plataforma Engessada

  • Solo, mas bem acompanhado: Fui o responsável pelo UX/UI e pelo Front-end, mas trabalhei colado com o time de performance de mídia para garantir que cada centavo investido em anúncio não fosse jogado fora.
  • Estratégia de Guerrilha: Em vez de tentar refazer tudo, usei os demonstrativos de resultados para priorizar o que dava lucro. Se uma mudança não movia o ponteiro das vendas, ela ia para o final da fila.
  • Viabilidade técnica: Como eu também estava codando, não desenhei nada que a plataforma Tray não pudesse aguentar. Foi design pé no chão focado em conversão.Verificar a viabilidade técnica de implementação das melhorias.

O processo

Com o orçamento apertado e a sensação de que o projeto ia naufragar, não dava para chutar. Peguei o Google Analytics e o painel da Tray para entender o cenário real antes de qualquer protótipo.

O furo no sapato

  • Taxa de rejeição nas alturas: A galera entrava e saía sem pensar duas vezes.

  • Lentidão: O site demorava tanto para carregar que a paciência do usuário acabava antes das imagens.

  • Mobile de escanteio: 80% do tráfego era mobile, mas a experiência era péssima, resultando em poucas páginas visitadas por sessão.

  • Conversão em queda livre: O interesse pelos produtos existia, mas o fluxo era tão confuso que o usuário se perdia ou desistia no meio do caminho.

  • Oportunidades desperdiçadas: Picos de venda em lançamentos não eram aproveitados por falta de uma vitrine otimizada.

Qualidade e Saúde: O Pente-fino

Fiz um QA (Quality Assurance) rigoroso e desenhei um sitemap visual para mapear onde o fluxo de navegação estava sabotando as vendas. Esse mapa virou meu guia para não desperdiçar as 30 horas de budget em coisas irrelevantes.

O Raio-X da Bagunça

  • Mobile Inutilizável: A busca simplesmente não funcionava e a página de produtos estava totalmente desconfigurada no celular.

  • Navegação Hostil: O menu era um labirinto que fechava sozinho, impedindo o usuário de avançar.

  • Barreira no Frete: O cálculo de frete quebrava o layout e, muitas vezes, nem exibia o resultado — o maior motivo de abandono de carrinho.

  • Poluição e Lentidão: Banners gigantes que travavam o carregamento e vitrines com excesso de informação (ruído visual) e pouco destaque para o produto.

  • Erros de Amador: Links quebrados por todo o site e filtros internos da equipe aparecendo para o cliente final, gerando uma confusão total na jornada.

Ouvindo quem sente a dor

Para fechar o diagnóstico, bati um papo com o time de performance. O objetivo era entender por que o site, que já tinha vendido bem, virou um gargalo.

O que o time me revelou (os bastidores do caos):

  • Operação “na mão”: Clientes desistiam do checkout e corriam para o Instagram. A solução era gerar link de pagamento e fazer atendimento manual (um desperdício de tempo gigante).
  • Marketing sabotado: Os anúncios atraíam o público certo, mas a conversão não vinha porque o site não passava confiança ou simplesmente travava.
  • Barreiras de atualização: Problemas técnicos impediam a troca de banners e vitrines. Resultado: campanhas de marketing rodando que nem chegavam a aparecer no site.
  • Crise de confiança: Os usuários tinham dúvidas reais se o produto era original ou se havia estoque disponível, sinal de que a interface não comunicava autoridade.

Priorizando o que dá lucro

Com o diagnóstico completo e o relógio correndo, o maior erro seria tentar consertar tudo de uma vez. Eu precisava ser cirúrgico.

  • Backlog de Elite: Peguei todos os problemas encontrados e transformei em tarefas claras.

  • Matriz de Esforço x Impacto: Cruzei o que era rápido de codar com o que trazia retorno imediato para o caixa. Se o esforço era alto e o impacto nas vendas era baixo, foi descartado sem dó.

    Foco no ROI: Essa organização foi o que permitiu salvar o e-commerce em apenas 30 horas, garantindo que cada minuto investido se transformasse em melhoria na experiência do usuário e, principalmente, em faturamento.

Validando no fogo cruzado

Não adiantava apenas codar; eu precisava ter certeza de que as correções funcionavam na mão do cliente. Implementei testes de usabilidade rápidos com roteiros objetivos para garantir uma experiência sem atrito.

Descobertas:

  • Sucesso total nas tarefas: 100% dos usuários testados conseguiram completar o fluxo de compra sem suporte.

  • Aposta certeira: A visualização de tamanhos direto na vitrine foi um dos pontos mais elogiados, validando a hipótese de reduzir cliques desnecessários.

  • Oportunidade de Melhoria: O teste revelou que os usuários queriam selecionar o número do calçado ali mesmo na vitrine e ver essa escolha refletida ao abrir o produto — um ajuste fino que faz toda a diferença na conversão.

Entregáveis: Do Diagnóstico ao Código

Aqui estão os principais artefatos que transformaram os dados em faturamento. Cada tela e fluxo foi refatorado focando em performance mobile, clareza visual e, acima de tudo, na remoção de qualquer barreira que impedisse o cliente de finalizar a compra.

Navegação desktop site antigo

Navegação desktop site novo

Navegação mobile site antigo

Navegação mobile site novo

Vitrines site antigo

Vitrines site novo

Página produto site antigo desktop

Página produto site novo desktop

Página produto site antigo mobile

Página produto site antigo desktop

Aprendizados

Minha passagem pela Ultrakids foi como freelance focado em performance. O objetivo não era reinventar a roda, mas consertar os eixos para o carro voltar a andar.

O que levo daqui

  • Sem receita pronta: No nicho premium infantil, o “pulo do gato” é interpretar dados com olho clínico e alinhar cada pixel aos OKRs do negócio.

  • Design de Guerrilha: Esse projeto provou que, mesmo com um budget de horas limitado, decisões estratégicas e priorização correta conseguem salvar uma operação que estava fadada ao fechamento.

Resultados: O Jogo Virou

Adotei o modelo Agile para garantir entregas incrementais e alinhadas ao negócio. Após 45 dias com as implementações rodando, os números mostraram que o “tudo ou nada” valeu a pena:

Melhorias:

  • Vendas: +287% de crescimento: O faturamento quase triplicou e, pela primeira vez em um ano, a meta do e-commerce foi batida.
  • Retenção: A taxa de rejeição despencou de 83% para 39%.
  • Engajamento: O interesse real dobrou. A média de páginas por sessão saltou de 1-2 para 2-4.
  • Eficiência Operacional: O novo sistema de gestão de vitrines e banners sincronizou o site com o marketing, acabando com o atraso nas campanhas.

Nota sobre dados sensíveis

Alguns valores financeiros são confidenciais. Se quiser mergulhar nos detalhes de ROI e conversão, bora marcar uma call?