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Oktoberfest de Blumenau

Como eu transformei o caos da maior festa alemã das Américas em uma experiência de alta performance

A Oktoberfest Blumenau é um fenômeno que transforma a cidade e atrai centenas de milhares de foliões de todos os cantos do mundo. Entre desfiles típicos e litros de chope, o evento exige uma logística digital impecável para lidar com um volume absurdo de informações e uma audiência gigante que não quer perder um segundo da programação.

De bombeiro a arquiteto

Eu fui chamado para resolver um bug chato e uma queda no servidor, mas percebi que o buraco era muito mais embaixo. Não adiantava colocar um band-aid em um site que estava impedindo o faturamento da festa. Depois de um ano provando que o sistema antigo era um barco furado, transformei um chamado de manutenção na reconstrução completa do ecossistema digital da Oktoberfest.

O que eu fui buscar no barril:

  • Corrida contra o cronômetro: Com a demora na decisão da prefeitura, o prazo encolheu para 2 meses e meio. Era entregar ou entregar, porque o lançamento já tinha data marcada para aparecer em rede nacional.
  • Imersão nas raízes: Estudei a fundo a história e o funcionamento da festa para que o digital não fosse um corpo estranho na tradição.
  • Escuta ativa (e diversa): Entrevistei desde jornalistas sedentos por pauta até funcionários públicos focados em sustentabilidade e cultura.
  • Mapeamento de gargalos: Identifiquei que o site antigo não era só feio, ele era um bloqueio financeiro que impedia a venda de ingressos nos momentos de pico.
  • Faxina no backlog: Acumulei um ano de provas e argumentos sobre as falhas do sistema antigo até conseguir o “ok” para reconstruir tudo do zero.

Onde a tradição encontrou a tecnologia

O site antigo era um gargalo: uma atualização simples levava dois meses e o sistema de desfiles era um Google Forms que gerava caos na avenida. O novo projeto precisava ser um tanque de guerra em performance, mas com a alma e o folclore de Blumenau.

O que eu coloquei nos eixos:

Fim do “delay” operacional: Acabei com o ciclo de meses para atualizações, criando uma estrutura ágil para dados que mudam a cada hora.

Blindagem para multidões: Desenvolvi um ambiente focado em performance extrema para suportar acessos massivos sem soluços.

Adeus ao Google Forms: Transformei o caos do desfile em um sistema real, eliminando erros de entrada, falta de traje e confusão nas regras.

Cultura além do chope: Criei espaços dedicados ao folclore e às atrações, garantindo que a história da festa fosse tão protagonista quanto a bebida.

Gestão descentralizada: Facilitei a entrada de informações vindas de diferentes frentes da prefeitura, centralizando tudo com organização.

A engenharia da brincadeira

Minha stack favorita para projetos que exigem velocidade é WordPress + Elementor, mas esqueça o básico: aqui o trabalho é puro, com código na mão em PHP e o mínimo de plugins possível. Atuei como a ponte entre o time da festa e o time do servidor, traduzindo necessidades de negócio em infraestrutura de guerra.

  • Ponte técnica: Uni o time do servidor e a organização da festa, servindo de “intérprete” para alinhar a operação com a tecnologia.
  • Infraestrutura bruta: Implementamos Redis e camadas avançadas de cache que eu ajudei a configurar para garantir que o site não balançasse com milhões de acessos.
  • Operação Blindada: Realizei uma análise de segurança pesada para proteger o site, que era alvo constante de ataques e tentativas de invasão.
  • Live Design System: Treinei a equipe para usar um sistema vivo no Elementor, mantendo a consistência visual sem engessar a agilidade.
  • O fim do gargalo: Criei painéis customizados que transformaram tarefas de 10 dias de diagramação em apenas 10 minutos de cadastro.

Estrutura sóbria, alma renovável

O site antigo era um frankenstein: cada ano mudavam o cartaz e sobravam restos da edição anterior. Minha estratégia foi criar uma interface sóbria e atemporal, que serve como uma moldura limpa. Assim, a identidade visual do cartaz do ano pode brilhar sem brigar com o layout e, principalmente, sem deixar “cicatrizes” técnicos de versões passadas.

O que eu redesenhei no fluxo:

  • Arquitetura “Clean Slate”: Desenvolvi um design sóbrio e fixo, garantindo que a troca anual de cartazes e cores não exigisse gambiarras ou código novo.
  • UX guiada por dados: Usei o Google Analytics (uma novidade para eles ) para descobrir o que o folião realmente buscava e limpei o que era ruído.
  • Consenso entre Gigantes: Bati a nova categorização do site com prefeitura, patrocinadores e terceiros, unificando interesses conflitantes em uma navegação fluida.
  • Componentização Inteligente: Criei um design system interativo com elementos de repetição (cards, galerias, botões), facilitando a gestão e a escalabilidade.
  • Fim das cicatrizes: Eliminei o sistema hard coded antigo, permitindo que a transição entre edições da festa seja invisível e sem erros de legado.

Onde o coração da festa bate: O "Core" do Projeto

Eu mergulhei na história e vivi a cidade como convidado, mas na hora do código, o jogo se ganha em três pilares: Ingressos, Programação e Desfile. Foi aqui que apliquei testes de usabilidade reais com mais de 30 entrevistados via Meet para garantir que, no meio da euforia, ninguém ficasse perdido.

trunfo da operação:

Programação Inteligente: Reformulei o visual e a lógica da agenda. O que levava 5 dias de cadastro manual passou a ser feito em 2 horas. Separei por setores e atrações, criando uma estrutura tão robusta que já está pronta para receber dados históricos e folclóricos no futuro.

Filtro de Ingressos: Mesmo com ticketeira externa, encurtamos o caminho com links diretos na programação. Criamos uma estratégia para que o “curioso” (que só quer ver preço) não pesasse o servidor, reduzindo cliques e otimizando o load para quem realmente ia comprar.

O Sistema de Desfiles (O Grande Golpe): Matei o Google Forms e criei uma plataforma de reservas com validação real. Acabamos com os “oportunistas” que burlavam regras: o sistema agora trava quem tenta desfilar mais de duas vezes ou tenta se cadastrar como acompanhante no mesmo dia.

A “Batalha” das Vagas: Antes, as vagas saíam aos poucos e geravam caos. Agora, liberamos tudo em uma data única. Em apenas 2 horas, milhares de pessoas disputam as 950 vagas com regras de negócio blindadas (ex: limite de uma quarta e um sábado por pessoa).

Conscientização Automática: Com o novo fluxo, o aceite das regras de traje e comportamento disparou, reduzindo drasticamente o número de pessoas barradas na avenida por falta de informação.

Muito Antes do primeiro barril

O site foi ao ar no prazo, com uma tonelada de conteúdo migrado, mas sem a ilusão da perfeição imediata. Não existe fórmula mágica, existe trabalho duro. Assim que o “go live” aconteceu, entramos em modo de operação contínua, ajustando a rota com o projeto em pleno voo e respondendo em tempo real ao ritmo frenético da festa.

A dinâmica do "ao vivo"

Evolução em Tempo Real: O site nunca parou. Inserimos melhorias e novos recursos com o projeto já no ar, adaptando a plataforma às demandas que surgiam a cada hora.

Gestão de Crise e Alertas: Durante os dias de festa, criei sistemas de alertas e mensagens instantâneas para corrigir informações e guiar o público em tempo real.

Design System Adaptável: Precisei criar novos elementos visuais no susto para atender necessidades que só apareceram quando a multidão chegou na Vila Germânica.

Otimização por Dados: Com o site rodando, trocamos os testes guiados pelos resultados frios do Analytics, ajustando layouts e fluxos baseados no comportamento real de milhares de usuários.

Equilíbrio de Interesses: Atuei como o ponto de estabilidade em um ecossistema com centenas de pessoas trabalhando e interesses que mudavam conforme o chope gelav

O legado: Além da interface

Este projeto reforçou uma verdade fundamental: design nunca é apenas sobre o usuário final. Um bom blueprint revela que a base operacional é o que sustenta a superfície. Quando você resolve a dor de quem opera o negócio, o resultado para o cliente se torna naturalmente superior.

O que ficou para a bagagem

  • Design é Operação: Pensar no fluxo interno de quem alimenta o sistema é tão vital quanto a jornada de quem compra o ingresso.
  • A Engrenagem Invisível: Se o operacional flui, o negócio se revela de forma muito mais estratégica e menos reativa.
  • Parceria de Longo Prazo: O sucesso foi tanto que hoje sigo como consultor estratégico da SECTUR de Blumenau, aplicando essa visão em diversos projetos da região.
  • Foco Duplo: Aprendi a equilibrar a balança entre a eficiência técnica “nos bastidores” e a experiência de quem vive a festa na ponta.

Noite de sono e recordes batidos

O maior indicador de sucesso não foi apenas o código rodando, mas a paz de espírito de quem faz a festa acontecer. Ver a tecnologia trabalhar a favor das pessoas e da tradição, e não contra elas, foi o que validou cada hora de esforço.

O impacto da entrega

Paz de espírito na operação: O diretor dos desfiles confessou que, pela primeira vez, conseguiu dormir tranquilo durante a festa. O mesmo alívio foi sentido pelo time técnico, que não precisava mais monitorar o site a cada minuto para ver se ele ainda estava de pé.

Justiça e inclusão: Ver foliões de outros estados comemorando nas redes sociais que “finalmente conseguiram uma vaga” foi gratificante. O “Aí sim!” do público real superou as reclamações de quem costumava burlar as regras.

Segurança e Confiança: Recebi elogios diretos dos stakeholders pela robustez e segurança que proporcionei à festa, eliminando  quedas, confusão, vulnerabilidades e ataques que eram comuns em anos anteriores.

Eficiência Operacional: Processos que antes eram sinônimo de confusão e burocracia tornaram-se tarefas simples, reduzindo drasticamente o suporte e o estresse da equipe de atendimento.

Recorde de Vendas: O site acompanhou o crescimento histórico da festa, suportando o recorde de ingressos vendidos online sem gargalos, garantindo que a infraestrutura técnica estivesse à altura do esforço de toda a cidade.